ABCM: crise reduz a 30% a operação de coquerias no Sul do País

Por causa da crise, a indústria produtora de coque de fundição da Região Sul, principalmente em Santa Catarina, está operando com cerca de 30% de sua capacidade, informou há pouco o presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), Fernando Luiz Zanca.

A ABCM representa os fornecedores de carvão metalúrgico que abastecem as coquerias. Zancan participa neste momento, no Ministério de Minas e Energia, de uma reunião de empresários do setor mineral com o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Cláudio Scliar.O s efeitos da crise no setor são o tema da reunião no ministério.

O presidente da ABCM relatou, em um intervalo do encontro, que as coquerias estão sentindo as conseqüências da queda da atividade nas fundições, como efeito da redução das vendas das montadoras de veículos. "As fundições foram atingidas pela crise. Aí, a indústria de coque de fundição de Santa Catarina também deu uma freada", disse Zancan, ressaltando que, por enquanto, o setor não está demitindo trabalhadores.

Ele salientou que as vendas de carvão metalúrgico representam apenas 5% do mercado de carvão mineral do País. A maior parte – quase 90% – do carvão mineral, segundo ele, é vendida para as usinas termoelétricas. Zancan previu que o setor poderá manter um bom nível de vendas de carvão para as termoelétricas, a partir do fim da estação das chuvas, tanto para abastecer o mercado de energia no Brasil quanto para exportá-la para a Argentina.

O Ministério de Minas e Energia já confirmou que os argentinos renovaram a encomenda de energia. A Argentina pede um abastecimento de 1.500 MW médios, a serem fornecidos de fevereiro a novembro. Outro setor da mineração que está sentindo diretamente os efeitos da crise é o de água mineral.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral (Abinam), Carlos Alberto Lancia, que também participa da reunião no Ministério de Minas e Energia, relatou que, por causa da escassez de crédito, as distribuidoras de água estão com carência de capital de giro. Assim, disse ele, as vendas deste verão estão no mesmo patamar das do ano passado, quando o normal para o setor é um crescimento de cerca de 10% a cada verão. "Estamos deixando de crescer 10%", disse. Acrescentou que é possível que, após o fim da estação mais quente, o setor pode vir a demitir empregados. No ano passado, o setor vendeu 7,2 bilhões de litros de água mineral e conseguiu um faturamento de R$ 1,2 bilhão.

Fonte: Agência Estado

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