Áreas licitadas na Bahia têm teores propícios para exploração comercial
A CBPM sustenta que jazidas disponibilizadas para licitação estão dentro dos parâmetros aceitáveis de teor de minério de ferro, embora tenha depósitos que estejam acima do que se pode considerar normal
Em relação a minério de ferro, quando se fala em baixo teor, normalmente é de se esperar índices de 30% a 40%, ou menos. O ponto de equilíbrio ideal residiria entre os teores de até 50%. Há, entretanto, exemplos no mundo que chegam a níveis bem menores, como é o caso de algumas minas da China, com até 10%.
A influência direta da exploração de depósitos com baixo teor de minério de ferro, segundo Rafael Avena Neto, diretor Técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), reflete-se principalmente na exigência de maiores recursos de infra-estrutura para a instalação produtiva, de forma a suprir a necessidade de movimentação de grandes volumes de material extraído das minas. “Nada muito problemático que o estágio avançado de evolução tecnológica do setor não possa resolver”, diz
Com base nisso, Avena conta que as áreas que vêm sendo colocadas em licitação no Estado da Bahia podem ser consideradas muito próximas dos parâmetros considerados normais. É o caso, por exemplo, do depósito de Caetité, descoberto pelo geólogo João Carlos Cavalcanti.
“Essa descoberta já tem relatório final de pesquisa entregue e protocolado no Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) e pode apresentar teores de 65%, com grande potencial de exploração.
Ele informa também que a CBPM licitou no norte do Estado (divisa com o Piauí) outras 174 áreas de minério de ferro (itabirito), com teores próximos a 45%, em que a grande vencedora para exploração foi a empresa AcelorMittal do Brasil.
Foram licitadas ainda outras 14 áreas, que atraíram grandes grupos empresariais. Entre eles, destacam-se os seguintes: Limerick Mineração do Brasil, com duas áreas de ouro, em Jurema Leste e Itapicuru; Empresa Baiana de Tecnologia Mineral (de origem japonesa), com área de areia silicosa, no sul do Estado; Delta (empresa paulista), com três áreas de argila; Provale (do Espírito Santo), com área de barita; Largo Mineração (canadense), com o ferro-titânio-vanádio de Campo Alegre de Lourdes.
Essas, e outras empresas, deverão investir cerca de R$ 60 milhões em pesquisa mineral no Estado, sendo que desse total caberão à CBPM aproximadamente R$ 8 milhões, como prêmio de oportunidade, e entre 4% e 8% da futura produção, como royalties.
Sobre a crise
De acordo com o diretor da CBPM, as empresas não devem reduzir, momentaneamente, o nível dos investimentos programados em função da recente crise mundial. “Afinal, esses investimentos foram previstos para longo prazo. Mesmo os projetos mais imediatos, como é o caso da exploração de níquel pela Mirabela, previsto para maio ou junho de 2009, não devem ser afetados. Poderia haver alguma preocupação se a produção começasse hoje, em pleno auge da crise”, justifica Avena.
Para ele, o projeto foi elaborado com preço de venda do produto próximo do que está vigorando hoje. “O níquel, que chegou a custar mais de US$ 50 mil por tonelada, hoje está valendo cerca de US$ 10 mil/t. Mas, deve se estabilizar em até US$ 15 mil/t”, pondera.
O diretor Técnico da CBPM acredita, entretanto, que o setor ainda poderá sofrer o impacto da crise financeira mundial. “Reputo essa crise como uma espécie de freio de arrumação. Veja que o barril de petróleo a US$ 140,00 não era uma coisa normal e não poderia durar por muito mais tempo. Com essa arrumação, deverá acontecer a depuração do setor, expurgando algumas empresas que agiam como especuladores da mineração. Espera-se que restem apenas os que têm competência, compromisso e real interesse em investir no setor”, conclui.
Fonte: Revista Minérios & Minerales, edição 311