O Brasil, a crise mundial e a mineração
O Presidente do BNDES, Luciano Coutinho, informou ao País, no Palácio do Planalto, durante reunião do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Presidente da Republica, antes da explosão da crise bancaria mundial, que o Brasil vai contabilizar R$1,5 trilhão de investimentos no período 2008-2011, assim distribuídos (em R$ bilhões): Petróleo e Gás (sem Pré-Sal) = 269,7; Extrativa Mineral = 80,2; Siderurgia = 50,0; Construção Naval = 36,2; Automotivo = 31,5; Papel, Celulose e Madeira = 29,1; Química e Petroquímica = 27,4; Sucroalcooleiro = 26,1; Eletroeletrônica = 22,4; Máquinas e Equipamentos = 24,0; Têxtil, Vestuário e Calçados = 17,1; Saúde = 7,4; Turismo = 3,2 e Software = 2,8.
Se considerarmos – o que e absolutamente verdadeiro, embora nem sempre percebido como tal – que Petróleo, Gás e Extrativa Mineral, somados, constituem o item Mineração, veremos que a indústria mineral é, de longe, a que mais irá investir no período citado, no País. Por outro lado, outras que investirão pesadamente, como Siderurgia, Automotiva, Química e Petroquímica, para ficar só nestas, adicionadas à Construção Civil, inclusive a Construção Pesada (infra-estrutura), irão demandar, fortemente, minerais, pelo que poderemos, também, incluí-Ias como Mineração, ou se preferirem, indústrias de transformação mineraI.
Minerar, pois, além de essencial ao País, tornar-se-á, doravante, dia a dia, um negócio de dimensões cada vez maiores e mais globalizado (não podemos nos esquecer de que a Mineração sempre foi, é e sempre será um negocio global), pelo que, mesmo com a crise que o mundo tem enfrentado, irá permanecer essencial a qualidade de vida almejada pela humanidade.
Analistas têm destacado que “os EUA, a Europa e a Japão estarão em recessão em grande parte de 2009 – talvez o ano inteiro – e que os BRICs vão se comportar me/hor, mas, mesmo assim, com a/guma desaceleração" e dito que “a expansão chinesa vai desacelerar da faixa entre 10% e 71% dos últimos anos para a/go ao redor de 8%".
Ora, claro que a dimensão da presente crise financeira – cuja extensão ainda não está suficientemente conhecida – poderia vir a reduzir a demanda por minerais: mas, considerando-se que a China deve crescer pelo menos 8% a.a, o que e "um mundo", e que a Índia, a Rússia e o próprio Brasil também deverão exibir significativas taxas anuais de crescimento, considero que nós, da Mineração, deveremos ficar atentos e acompanhar de perto a crise: mas, também, não podemos nos esquecer de que o "ano mineral" tem, em media, 10 anos.
Vê-se, pois, que o míneronegócio no Brasil e no mundo deverá continuar forte e em expansão, pelo menos ate 2015: é o que, a meu ver, os atuais indicadores apontam. Resta ver, agora, o que o futuro nos reservará. Lembrando, sempre, como dizia Roberto Campos, que hoje as equações exibem constantes cada vez mais inconstantes e variáveis cada vez mais variáveis…
Jose Mendo Mizael de Souza
Engenheiro de Minas e Metalurgista, EEUFMG, 1961.
Presidente da J. Mendo Consultoria Ltda., Presidente
do CEAMIN – Centro de Estudos Avançados em
Mineração e Presidente do Conselho Diretor e da
Diretoria da APROMIN – Associação Brasileira para o Progresso da Mineração. Consultor da Tracbel.
mendodesouza@jmendo.com.br
Texto extraído da Revista TRACBELMAGAZINE nº21