Rio Tinto confirma negociações para injeção de capital da Chinalco
Nova York, 2 – A Rio Tinto está em negociações com a produtora de alumínio chinesa Chinalco sobre um grande investimento que poderia ajudar a mineradora anglo-australiana a diminuir sua perigosa carga de endividamento, em meio à queda nos preços dos metais.
Num comunicado distribuído na noite deste domingo, a Rio Tinto confirmou as negociações, dizendo que as conversas envolvem "a aquisição, pela Chinalco, de participações minoritárias em várias divisões operacionais do grupo Rio Tinto e também o investimento em instrumentos conversíveis". A possível injeção de capital da estatal chinesa, formalmente conhecida como Aluminum Corp. of China, é uma das várias opções que a Rio Tinto vem estudando, disse a mineradora.
Outras alternativas incluem uma grande oferta de ações para os atuais investidores, chamada emissão de direitos. Além disso, na última sexta-feira, a Rio Tinto anunciou a venda, para a Vale, da mina de minério de ferro Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e de uma mina de potássio na Argentina.
O negócio foi fechado por US$ 1,6 bilhão. Um acordo com a Chinalco, que no ano passado se juntou à norte-americana Alcoa para comprar 9% da Rio Tinto por US$ 14 bilhões, pode ajudar a companhia australiana a evitar uma emissão de direitos com um forte desconto.
A Rio Tinto foi forçada a estudar esse conjunto de opções em meio à severa desaceleração no setor de mineração e metalurgia e depois do fracasso da tentativa de compra feita pela BHP Billiton em novembro, no valor de US$ 70 bilhões. O investimento também ajudaria a China a consolidar sua influência sobre um fornecedor importante de minério de ferro para as siderúrgicas do país.
A Rio Tinto deve tomar uma decisão sobre qual opção vai adotar até a apresentação do balanço de 2008, no dia 12. Se decidir pela venda de uma parte da companhia para a Chinalco, a mineradora pode entrar em conflito com o governo australiano, segundo a edição de hoje do jornal britânico The Times. A venda de participações minoritárias nas minas da Rio Tinto teria o objetivo de levantar até US$ 15 bilhões, diz o jornal.
O grupo também pode emitir um bônus conversível que elevaria a participação da Chinalco de 9% para cerca de 15%, segundo o The Times. O governo australiano, porém, impôs um limite de 11% sobre a participação da Chinalco na Rio Tinto e, segundo o diário, estaria preocupado com a possibilidade de ativos estratégicos em minério de ferro e carvão caírem em mãos chineses.
Fonte: Dow Jones