Siderúrgicas chinesas podem propor corte de 40% do preço do minério

As siderúrgicas chinesas, comenta-se, tentarão reduzir em 40% os preços dos contratos de minério de ferro nas negociações que têm início esta semana com as três maiores mineradoras globais – BHP Billiton, Rio Tinto e Vale. As novas cotações valerão por um ano a partir de 1 de abril.

Analistas, no entanto, apontam que o sentimento geral no mercado está melhorando, embora ainda levemente, o que sinalizaria para um corte bem menor. "Os preços do minério de ferro sem dúvida cairão. Mas a principal mensagem é que desde novembro, que foi um mês extremo para o comércio global, tem havido alguma recuperação. Se não tivéssemos registrado essa reação, estaríamos numa crise desastrosa", disse o analista Justin Smirk, da Westpac Senior Commodity.

Representantes das siderúrgicas chinesas, encabeçadas pela Baosteel, e da Associação de Ferro e Aço da China deverão se reunir com executivos das três mineradoras amanhã ou quinta-feira, mas as posições dos dois lados ainda estão muito distantes, segundo um analista de Xangai. Sinais de uma recuperação do mercado de minério de ferro, mesmo que isolados, estimulam especulações de um corte menor do que o esperado nos preços contratuais de referência para 2009/2010.

Entre esses sinais, estão as exportações de minério de ferro pela Austrália, que aumentaram 29% em dezembro ante novembro, embora tenham recuado 4,5% ante dezembro de 2007. Boa parte do fraco nível de novembro resultou do corte de cerca de 40% da produção das siderúrgicas chinesas no segundo semestre do ano, mas essas empresas deverão se beneficiar do plano de estímulo do governo chinês no valor de US$ 585 bilhões.

 Outras razões para otimismo incluem o fato de o índice Baltic Dry, que reflete valores de fretes para cargas secas a granel, estar no maior nível desde 13 de outubro e acumular alta de 173% em relação ao piso atingido em 5 de dezembro. Além disso, os preços do minério no mercado à vista ainda estão 13% abaixo das cotações de referência válidas para o atual ano fiscal, mas já subiram 33% desde outubro, para US$ 84,50 a tonelada.

O mercado já previu queda de 30% a 40% dos preços para o próximo ano fiscal, sendo que os mais pessimistas chegaram a falar em diminuição de 50%, mas a recuperação dos índices de frete e das exportações levou alguns analistas, como os do Merrill Lynch, a reduzir a previsão para queda de 20%.

A melhoria do sentimento geral do mercado traduz-se na alta de mais de 50% das ações das mineradoras desde o piso atingido no ano passado. "O timing dessa recuperação não poderia ter sido melhor para essas empresas", disse o analista do Merrill Tom Price, em nota. Parte dessa recuperação pode estar associada aos cortes de produção feitos pelas mineradoras, como o de 30 milhões de toneladas da Vale no ano passado, 10% de sua capacidade total.

A Rio Tinto também cortou 10% de sua capacidade, ou 20 milhões de toneladas. As siderúrgicas chinesas, enquanto isso, deverão resistir a qualquer corte inferior a 30%. A diretora-gerente do JPMorgan para ações chinesas, Jing Ulrich, disse que os preços de aço no país poderão passar por uma nova rodada de correção quando a atual reconstituição de estoques chegar ao fim.

"A perspectiva para a demanda de importantes setores consumidores de aço, como o automotivo e o de utensílios domésticos, continua muito incerta", disse ela.

Fonte: Agência Estado

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