Xstrata pretende levantar US$ 5,9 bilhões com emissão de ações
A mineradora anglo-suíça Xstrata pretende levantar 4,1 bilhões de libras (US$ 5,9 bilhões) em uma emissão de ações com direito preferencial de subscrição para reforçar seu balanço. O executivo-chefe da companhia, Mick Davis, disse que o objetivo da emissão é "assegurar que a Xstrata permaneça financeiramente robusta durante as atuais condições do mercado", acrescentando que as perspectivas para a economia no curto prazo não estão claras. O preço de emissão, de 2,1 libras por ação, representa um desconto de 66% sobre o preço de fechamento do papel na quarta-feira.
Após o anúncio, as ações da empresa caíram fortemente e, por volta das 8h15 (de Brasília), recuavam 8,35% na Bolsa de Londres. "Depois que o mercado se recuperar do choque inicial provocado por essa oferta enorme, acreditamos que as ações da Xstrata serão melhor negociadas", afirmou Michael Rawlinson, analista da Liberum Capital. Ele observou que a emissão reduz o risco da companhia.
Parte do capital levantado pela mineradora deverá ser usado para a aquisição das operações de carvão da Prodeco, na Colômbia, pertencente à Glencore International, por US$ 2 bilhões. O restante será utilizado para reduzir a dívida da Xstrata para cerca de US$ 12,6 bilhões, de acordo com informações da empresa. A emissão de direitos de ações é uma forma comum de levantar capital na Europa.
Vários bancos do continente, como Royal Bank of Scotland Group (RBS), usaram essa estratégia recentemente para enfrentar a crise de crédito. Analistas esperam uma onda de emissões de companhias britânicas, que procuram se fortalecer para enfrentar a pior recessão das últimas três décadas no país, uma vez que os bancos estão relutantes em fornecer crédito.
Em uma emissão com direito preferencial, uma companhia oferece a seus acionistas a oportunidade de comprar ações com um desconto sobre o preço praticado no mercado. Isso dá aos investidores a oportunidade de evitar que sua participação na companhia seja diluída. Os acionistas que não quiserem subscrever as ações podem vender seus direitos. A Glencore é a maior acionista da Xstrata, com 35% de participação, e deve subscrever todas as ações a que tem direito. O restante deverá também ser totalmente subscrito em conjunto pelo JPMorgan Securities e pelo Deutsche Bank.
Mais cedo, a mineradora informou queda de 35,1% no lucro líquido atribuível aos acionistas no ano fiscal 2008, para US$ 3,6 bilhões, comparado a um resultado de US$ 5,54 bilhões em 2007. O lucro líquido antes de impostos foi de US$ 5,17 bilhões no ano, queda de US$ 8,13 bilhões em 2007. A Xstrata anunciou que seus investimentos serão de US$ 3 bilhões em 2009, menos da metade dos US$ 6,2 bilhões originalmente planejados para o ano, segundo seu executivo-chefe.
Fonte: Dow Jones